Distanciei-me por um momento. Vi-me mera viajante deste mundo a percorrer as linhas do passado, em busca daquela pequena felicidade que despertou em mim quando tive a sensação de que uma fracção de segundos se pode tornar em algo mais durável, em algo com enorme incidência.
Distanciei-me, por querer recordar aquele sorriso que alguma vez vira e que fez reluzir todo o escuro da noite que o envolvia, por querer rever aquele olhar que conteve o meu como se tivesse sido pura magia.
Tudo deixou de ser monótono, tudo deixou de ser o que sempre esperei que fosse – os mesmos caminhos, as mesmas caras, os mesmos sons -. Agora, aguardo cada dia como sendo algo novo, algo inesperado, pois a tudo isto foram-lhe alterados todos os sentidos, a partir do momento em que os teus passos singelos quebraram todo o silêncio das ruas que contemplavam o teu andar, a partir do momento em que o teu corpo se cruzou com o meu e deixou para trás o rasto do seu perfume.
Por isso, eu hei-de voltar. Voltar à ocasião, voltar ao lugar, voltar à sensação que fez o tempo parar de correr, que fosses a única imagem que podia ver, sendo tu real ou apenas um ser imaginado.

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