Não pronuncies o meu nome. Não faças um único movimento em minha direcção, pois sei que mais cedo ou mais tarde vais partir sem dizer adeus, desaparecer sem motivo - como quando um avião anuncia a sua descolagem e se torna invisível por entre as nuvens - e irei encontrar-me novamente a flutuar na raiva e na angústia, irei encontrar-me a lamentar por saber que afinal não sou tão forte como pensava que era, tão forte como gostaria de ser, que tu e o teu simples desistir tornam-me fraca ao longo do tempo.
Quando dou por mim, com forças suficientes de seguir e largar tudo o que me causa dor, é aí que apareces, é aí que a tua sombra me invade a calma e a tranquilidade. É como se houvesse uma força que te faz voltar, que faz com que regresses ao lugar que, estranhamente, afirmas pertencer. Mas de que servem as tuas palavras, quando o sentimento está adormecido, quando todos os dias foram passados a esperar e a aguardar a tua chegada?
Apareces como se de um furacão se tratasse, sem aviso prévio. E aí estou eu, permanecendo estática à tua frente, sem energia nem coragem de dar o meu primeiro passo, de me dirigir até a ti.
Acabo por fitar os teus olhos, tentando decifrar o que eles sentem, tentando buscar todas as respostas para cada uma das minhas perguntas, e é passado algum tempo que reparo no quão vazios eles se encontram, na nebulosidade em que eles se mostram... na impossibilidade de ver reflectida neles a minha imagem, que outrora consegui e pude ver, sem me esforçar.
De que servem as palavras, de que serve o regresso?!